E parece que sim, mal e porcamente lá fizeram o que tinham a fazer e Áustria/Suiça 2008 lá tentarei estar. Falta só a minha parte, mal e porcamente arranjar bilhetes, mas há que ter fé, quem é que quer ir com uma tenda impermeável para a porta da federação hoje à noite?
E já agora (esta não é minha recebi agora por sms) qual vai ser a piada daquela porra sem os ingleses, hein?
Para 2010 também já tenho lugar marcado em casa dos primos radicados, com direito a mergulhar com tubarões e a uma visita ao KrugerPark. A não ser que até lá ganhe juízo. Não sei porquê se nos ultimos vinte e nove anos não o ganhei, dá-me ideia que não vai ser nos próximos três.
P.S: A música não tem muito a ver. Mas é porreira. Pelo menos eu gosto e há que divulgar estas coisas. E assim sempre se poupa uma posta, a este ritmo qualquer dia o pessoal do blogger começa-me a cobrar.
Hoje deu-me para aqui. Recordar é viver. E eu recordo. É que mesmo que queira não conseguia esquecer. Quinta, 24 de Junho de 2004. Portugal-Inglaterra, quartos-de-final do euro 2004.
Primeiro que tudo a odisseia de arranjar bilhetes. Tudo de armas e bagagens à porta da federação na praça da alegria. Tudo cheio de grunhos e pessoal que foi só para guardar lugares e vender bilhetes ao inimigo logo à saída por balúrdios. E lá pelo meio 3 marmanjos (vá dois marmanjos e uma marmanja) de armas e bagagens e de dentes cerrados, prontos para acampar lá à porta e não sair sem o belo do bilhas. E não saímos sem bilhete. Também não acampamos porque os senhores organizadores insistiram e bem que fosse toda a gente dormir a casa e de manhã trouxesse as senhas com os números e siga para bingo. Epá e por nós tudo bem. Lá pelo meio sobra ainda a história da senhora com o chapéu da carlsberg na cabeça que estava por lá e que tinha feito uma directa para arranjar bilhetes para o filho que estava na Holanda e bla bla bla e camarotes vip e bla bla bla. Pronto directa, precisava de desabafar, e claramente as unicas 3 pessoas com algum aspecto aceitável e ar de inteligentes eramos nós. Vá 2 com ar de inteligente e um marroquino terrorista.
Entretanto chega o dia do jogo. Estádio da Luz. Belo. Siga para bingo. Completa e totalmente cheio. É que nem mais uma mosca lá cabia. E por falar nisso deu-me ideia que até as moscas eram inglesas. Tudo branco para onde se olhava. Só bifes e bifes e bifes. Dois terços de bifes para o resto de tugas e diversos/derivados. Solução? Cada um gritar o dobro do que tinha e o que não tinha, até rebentar as artérias. E siga. Os hinos. Eu não sei o que é que aquela gente toma, deve ser da cerveja ou sei lá eu do quê, mas claramente houve um tremor de terra de grau 5 na escala de richter na altura do "God save the queen". Mas não há-se ser nada. Tuga que é tuga responde à altura. E quais gajos do râguebi a cantar o hino. Logo aí desata a rebentar artérias por tudo quanto é lado.
Começa o jogo. Logo ao inicio barraca do Jorge Andrade ou do Costinha, ou de ambos os dois, e pimba, golo do Ruuuuuuuuuuunnnnnnnnniiiiiiiii. Balde de água fria, e mais um terramoto, desta vez deve ter rebentado com a escala. Mas estavamos ali era para isso. Siga, toca a fazer ainda mais barulho, que os bifes de voz grossa hão-de ser abafados. Pronto eram abafados porque a gente os cansava. A muito custo os cansava mas lá se conseguia. Em claro modo de perda de calorias.
Sempre em cima deles, empurra empurra, e lá se empata. Este não foi tremor de terra, foi explosão mesmo. Mais uma carrada de artérias a rebentar e vamos lá embora que já se faz tarde. E pouco depois é isto:
Eu sei dizer que me iam dando 3 coisas. Cruel cruel foi depois do golo não terem apitado e dado aquela merda por terminada, mas não, havia que sofrer até ao fim mesmo fim. Senão também não tinha piada nem sabia tão bem. E pimba mesmo a acabar golo inglês e tudo na mesma. Aí dá-me a primeira arritmia e taquicardia e síncope cardíaca e isso tudo. Mais 137 cabelos brancos acabadinhos de nascer. RaiosParta os sapos.
Sei dizer que lá pelo meio ainda andou o Deco a lateral direito. Não lembra a ninguém, mas sei dizer que a coisa nem correu mal. E por fim os penalties. Ai o caneco penalties nunca dá nada. Mas a coisa tinha de correr bem. Para já porque devido ao alinhamento dos planetas tinhamos ficado rigorosamente atrás da baliza para onde se marcaram os penalties. Vem o Becas e falha. "É desta, è desta". Mas nada feito. Outro tuga que eventualmente já nem me lembro quem foi porque no fundo já nem estava a ver bem falha um penalty. Tudo na mesma outra vez. Chama-se a isso gozar com quem trabalha. E ao fim de sei lá quantos penalties, vá-se lá saber como o pato defende um. Claramente a coisa tinha mesmo de correr bem. Segundo o que consta defendeu sem luvas. Mas pffff o estado actual não permitir discernir grande coisa, siga mas é para bingo que já se faz tarde. E depois o momento. O pato que tinha defendido agarra e vai tentar marcar. E não é que marca?
Depois do jogo ui. Ui ui. Crónica de um jornalista inglês: There was screaming and yelling and the blowing of whistles and it sounded for a moment like someone had opened the gates to hell. The high-pitch whine rose and rose until it felt like it would tear apart the skin of your ears, and then the green and red flags and scarves were back up in the air, being flapped around and sending a warm fast wind swirling around the banked stadium.
Libertação de stress. Festejar com os ingleses que merecem, os que estavam cá para curtir e o futebol era um pretexo. Sei dizer que andei fora de mão e em corredores de bus. Mas era essencial à sobrevivência humana. Se não calho a libertar o stress a tempo era gajo para explodir. Ah e também conta muito que não era eu que ia a guiar. Mas isso não vem ao caso. Também sei dizer que uns quantos japoneses nos tiraram fotos. Hão-de andar pela net. É procurar no google por "alucinados aos pulos no bar do rio". Nesse dia também apareceram para cá umas canecas novas. Recuerdos de uma noite bem passada. Vá essa fui eu que tive a ideia. Confesso, pronto. Mas sempre é melhor trazê-las que fazer como o resto do pessoal que as atirou ao rio.
No dia seguinte? Vai mas é trabalhar malandro. Pois que trabalhar rouco nunca fez mal a ninguém. E trabalhar de ressaca igualmente. E dormir 2 horas chega perfeitamente. Já diria a outra senhora (esta piada não é minha e refuto qualquer responsabilidade para tal facto). Assim vale a pena ir à bola. Mas também se fosse sempre assim a esperança média de vida do tuga era reduzida a metade. E por diversas e várias razões tal facto era inconveniente.
Dá-me ideia que me corre nas veias material para uns 6 ou 7 blogues. Não há-de ser nada.
Favor fazer forward a Pepe, Deco, Scolari, e afins. Obrigado!
Mas também reconheço, a cantar o hino com toda esta cagança e pujança depois é claro que ninguém tem força para ser atropelado por armários escoceses e neo-zelandeses. Mas só por este momento já valeu a pena ter lá ido ser cilindrado.
Como diria o outro, tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
Eu tentei. Ficaram os vouchers e retornou o guito (a custo, a muito custo).
Cronologia:
16- Fevereiro: Um gajo agarra e paga os bilhetes para o mundial, quando ainda faltam 4 meses. Entre estes vem o famigerado bilhete condicional para a final (ai ai).
5-Julho: Vem o sr. das marradas e atira-nos directamente para o jogo do 3º e 4º lugar sem passar pela casa partida. Agora é que coiso, receber a devolução dos bilhetes da final. Um bocado contrariado, mas pouco.
5-Setembro: Txaram olha o guito na conta. E já agora descontaram 5 euros, por causa do trabalho ou assim. Viva o Xupismo.
A foto não está má , e a intenção era a melhor possível. Mas oficialmente (a não ser que a Itália, França e Alemanha desçam de divisão por corrupção) esta já não é nossa.
Vá, agora preciso de ver no telejornais imagens de franceses a chorar. Levanta o ego a qualquer um.
1. Nunca mais rapar o cabelo. 2. Pintar o cabelo de loiro antes de ir à Alemanha. Esta não, cruzes credo. Pato Ronald? Herman? AAAHHH 3. Não emagrecer (para manter as diferenças). 4. Não começar a correr atrás de queijos pelos campos. 5. Pedir um teste de paternidade/maternidade/irmandade.
Eu como nunca me sai nada (sou veterano em inscrições para sorteios da Epul e nunca fiquei sequer em suplente) e em 2004 inscrevi-me em quase os jogos todos de Portugal no Euro e só tive direito a bilhetes para um agarrei e "ah e tal olha vou-me inscrever nos jogos quase todos de Portugal na Alemanha, assim como assim no máximo com sorte/azar fico só bom bilhetes para um jogo e pronto, sempre conheço umas alemãs e tal".
E pronto sendo assim pelas minhas contas:
1- Portugal - Angola : lá estarei. 2- Portugal - Irão : não me inscrevi, sendo assim neste caso tive sorte/azar e não vou. 3- Portugal - México : Lá estarei novamente. Com sorte/azar este jogo é 10 dias depois do outro, e não me parece que ficar 10 dias a engonhar na Alemanha seja opção. 4 - 1/8 e 1/4 de final: Com sorte/azar a estes não vou. Também não me inscrevi. Se calhar foi disso. 5- 1/2 final e final: Se Portugal tiver a sorte de chegar à meia-final e final, eu vou ter a sorte/azar de ter de voltar à Alemanha (novamente 10 dias depois, concerteza já cheio de saudades) para ver o jogo. Se Portugal tiver o azar de não chegar aqui, eu vou ter a sorte/azar de me devolverem o dinheiro dos bilhetes que já me cobraram.
Depois do mundial eu logo risco a que não interessar. Mas para já parece-me bem, não há gregos à vista, nunca se sabe o que vai sair dali.