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Querido diário, internem-me se faz favor
Segunda, 18 de Outubro de 2010, Lisboa
Repito, Segunda. De manhã. Beeeeep, Beeeeep, Beeeep, toca o alarme no fundo do infinito. A mente desperta e desliga o despertador. Ao fundo mais alarmes e a luz do AC acesa. Tem piada, pelos vistos a luz faltou durante a noite, o meu ultimo pensamento antes de adormecer foi que não tinha backup caso a luz falhasse, e ia concerteza faltar à consulta no médico ás 9 da manhã, onde ia mostrar análises e pedir mais drogas, mas o que vale é que o despertador tem uma bateria de reserva, e acordei a horas. Perfeito, que sorte!
Ao fim de 15/20 minutos de estágio na cama, a pedir ao corpo que responda, consigo levantar-me e proceder ás tarefas pré-saída, que incluíram um banho com gel de banho em vez de champô, isto devido aos 15/20m de atraso e ao não menos importante facto do champô ter acabado no dia anterior.
Dirijo-me ao carro, para já tudo sobre rodas, desvio-me como posso dos pilares e paredes da garagem e chego à rua. Entretanto, de olhos mal abertos, tenho de tomar uma decisão. Esquerda ou direita, o drama, o horror, a tragédia. Ah espera, tenho de ir ao médico, esquerda up up up and away. Rua de sentido único, só vêm carros de baixo, espera-se que passem todos e arranca-se. Nisto vejo um vulto vindo do lado esquerdo. Não sei muito bem como momentaneamente acordei e travei o carro, e vejo o vulto a deslizar pelo alcatrão. Epá parece mesmo uma mota com alguém em cima. E epá parece mesmo vir direita a mim. E epá kabum olha bateu-me.
Ainda mal refeito do que tinha visto, começo a pensar como raio apareceu uma mota pela esquerda, em contra-mão, direita a mim, e levanto-me para ir perceber dos estragos (que foram mínimos, mas devido aos constrangimentos da vida vão ter de ser reparados) . Mal saio do carro a dona da mota, que concerteza já tinha bebido café (ao contrário de mim diga-se),desata a falar comigo a 100 à hora, passa-me todos os documentos para a mão, diz que tem toda a culpa, vinha de fora de mão e tem imensa pressa, que eu fique com todos os dados que queira que depois combinamos o pagamento. Pareceu-me uma manobra acima de tudo de alguém muito experiente em estampamentos de veículos... E eu mas mas espera aí, deixa ver, e lá vou tentar encontrar um raio de um papel e uma caneta no carro, e escrever os dados sabe-se lá onde.
A coisa parece que se vai resolver (isto assumindo que não me enganei a tirar os dados), não sem antes ter de ajudar a levantar a mota porque obviamente gaja que é gaja não sabe fazer essas coisas. Lá sigo para a consulta (a pensar que qualquer dia tenho de tirar carta de mota pelos vistos é bem divertido), agora ainda mais atrasado, mas isso se a gente espera pelos médicos eles também podem esperar por nós.
Entretanto chegando ao médico, vou para mostrar as análises, e pronto cá está o momento zen do dia. No meio da troca de documentos a dona da mota ficou com as minhas análises. Ainda bem que saí de casa para ir ao médico, assim tive oportunidade de ser gozado in loco e de ter de marcar nova consulta, concerteza com direito a novas peripécias. Já tinha dito que gosto muito das segundas-feiras?
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Porque há coisas que têm de ser ditas ou escritas, para ficarem para a posteridade. Mais que não seja porque me esqueço delas num instante.
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